23/12/2011 11:00
Faça o que tem que fazer
Eu nunca fui mimada. Se meus pais ou irmãos me ouvirem dizer isso, provavelmente, ocorrerá algum protesto, mas essa é a verdade. Nunca passaram a mão na minha cabeça ou deram tapinhas nas costas aprovando erros. Nunca me foi permitido me sentir insegura ou desconfortável. Eu sempre tive que fazer o que tinha que fazer, sem dramas ou chorumelas.

Não sinto isso só na minha casa. Na verdade, observei essa realidade principalmente no meu relacionamento com amigos. Sabe quando você está um pouco desiludido ou desinteressado e expõe sua dúvida ao outro? Então. Pra mim a resposta é frequentemente a mesma. Nas entrelinhas, eu leio: “Para de graça! Você sabe o que fazer!”.

Mas, quer saber? Isso é bom. De início a resposta é como um tapa na cara e eu tenho que assumir: “Sim, eu sei o que devo fazer”. Mas, depois de assimilado o golpe, percebo que o comportamento dessas pessoas tão próximas é perfeitamente adequado ao modo como sou.

Os que me amam não autorizam que eu fraqueje diante de nenhum obstáculo. O resultado final pode nem ser o esperado. Encontro apoio. Só não tenho o direito de não tentar.

(Às vésperas de começar um novo ano, refletindo sobre minha lista de “coisas a fazer”.)
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02/11/2011 15:09
Que pertença ao outro a vida do outro
Nem preciso estar com muita gente por perto. Basta estar sozinha, em silêncio, com alguns desconhecidos em volta pra encarar o fato de que, apesar de não terem "nada" a ver comigo, eles têm história. Assim como eu para mim mesma, eles são seu próprio ponto de partida e, nestas existências, eu não sou o centro.

Quando me dei conta disso pela primeira vez, na infância, o conhecimento me sensibilizou. Passei a compreender mais o outro, começando por aqueles que conviviam comigo sob o mesmo teto - mãe, pai, irmãos. Comecei a pensar sobre suas escolhas, sobre as decisões que tomaram até chegar ali e as que tomariam no futuro enquanto atravessassem os anos. São tantas variáveis pressionando-os contra o "sim ou não".

Pensar que o outro vê a vida de um ângulo diferente, sob um particular ponto de vista, me parece essencial para compreender o porquê de uns se arriscarem mais, de outros sonharem menos. Uma sacada pode parecer um penhasco pra quem tem medo de altura, não é mesmo? No mais, porque questionar a preferência de cada um pelo conforto e segurança ou do outro pela instabilidade e caos?

Por pensar assim, prefiro me abster de opinar. A menos que insistam em conhecer meu ponto de vista ou eu veja um perigo iminente e certo, me calo. Interferir na história do outro pode trazer – sendo dramática e extremista – resultados tão catastróficos quanto os retornos dos viajantes do tempo ao passado, demonstrados em tantos filmes. A vida deve seguir seu curso e este, por sua vez, deve ser definido por aquele que a detém. Pra que insistir em protagonizar o roteiro alheio?

Rebeca Ribeiro| E tu? Que pensas? Escreve aqui. (0)

10/08/2011 12:41
Definição em construção
Estou no plenário da Câmara de Vereadores aguardando o início da sessão. Ainda faltam dez minutos e escrever me pareceu um passatempo irresistível. Mas, escrever sobre o que?

.....

Hipocrisia. Tá aí uma palavra recorrente nos discursos sobre temas polêmicos. A favor ou contra, não importa. O outro é sempre o hipócrita. Se “o bom senso é a coisa mais bem repartida do mundo”, a hipocrisia é o filho feio que não tem pai. Mas, afinal, o que é ser hipócrita?

A meu ver, o defeito é verificado nas pessoas que cobram dos outros posturas que são incapazes de ter. Sabe aqueles discursos que não se materializam na vida do orador? Então. Pra mim, hipocrisia é isso.

Essa ideia, a princípio, pareceu conclusiva, mas, sinto que não é; que a hipocrisia é algo mais, mais abrangente.

Eu estou no plenário da Câmara preparada para ouvir discursos pró e contra o Executivo municipal baseados em interesse político, e algo me faz crer que vou ter uma aula sobre o tema.

Mais sobre Hipocrisia em http://pt.wikipedia.org/wiki/Hipocrisia.
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08/08/2011 16:31
Pensamentos II
"Nem sempre as coisas saem como a gente espera. Acabam sendo melhores."

"A insistência no tentar esquecer é um exercício que reforça a lembrança."

"Olhar nos olhos é sinal de coragem, de não ter medo de encarar o próprio reflexo e de se conhecer melhor através do outro."

"Descobri que dois sentimentos nos impedem de conseguir olhar nos olhos do outro: vergonha ou decepção. D'us me livre da vergonha. Decepção é bem mais suportável."

"O eclipse demonstra o quanto ser raro torna algo especial. Nem todos olham para o céu à noite quando a lua protagoniza o espetáculo rotineiro."

"Há quem faça do coração tripas."

"Quem pensa em jogar a toalha nunca mereceu entrar no ringue."

"Os incomodados provocam mudanças. Os acomodados que se mudem."

"Mais difícil do que conversar é conseguir compartilhar o silêncio sem constrangimento."
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01/08/2011 00:49
Reflexão: Amor
O amor pode parecer estranho. Às vezes, faz rir. Outras vezes, faz chorar. Sorrir, corar.
Por amor a gente fala ou cala; aproxima ou afasta; continua ou para.
É um sentimento que se manifesta de diferentes formas: entre pais e filhos, amigos e amigos, meninas e meninos. Tanto faz.
Porém, independente do tipo, só tem valor se for verdadeiro.


Tudo o que é falso gera repulsa - falo por mim.
Então, não espere um sorriso de interesse; um abraço mascarado, um apoio dissimulado.
Quando sorrio, rio ou elogio sou sincera. Não me retraio.
Mesmo que o objeto do amor não mereça tamanha consideração,
mostrar a verdade do íntimo é ser fiel a seu próprio coração.

Inspiração:
"O cidadão do céu fala verazmente segundo o seu coração" - Salmo 15
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04/07/2011 12:55
Saudade e Medo
Não recrimino nenhum morador do Vale do Paraíba por não se incomodar com a ausência da Mata Atlântica. Não que não seja revoltante. Acontece que, apesar de outrora ter coberto a totalidade do estado do Rio, só pra citar um de seus berços, há muitos anos ela foi reduzida a pequenos fragmentos e é difícil para os nascidos no pós-desmatamento se identificar com esse cenário arbóreo. Eu cresci entre morros nus.

A questão é que, ainda sem tê-la conhecido, sinto saudade. Estranho, mas sinto falta da flora e da fauna diversas. E, mesmo sabendo que essa diversidade, no caso da fauna, é composta, majoritariamente, por insetos e anfíbios que não me são atraentes, preciso da certeza de que eles têm sua casa, como eu tenho a minha.

Durante a Semana do Meio Ambiente, comemorada no início de junho, procurei saber mais sobre a Mata Atlântica e, durante as pesquisas e entrevista, fui informada de que este patrimônio natural foi diminuído em 90% na minha cidade. Soube também que iniciativas no sentido de recuperar a área desmatada esbarram na falta de investimento e na resistência de alguns proprietários da Terra.

O discurso, que opõe a preservação ambiental ao desenvolvimento, para meu desgosto, venceu a primeira batalha na Câmara e eu temo que o mesmo aconteça no Senado. Se havendo legislação rigorosa, o desmatamento avança desenfreado, imagine se forem afrouxadas as regras.

Amanhã, comissões (de Meio Ambiente, de Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle e de Agricultura e Reforma Agrária) discutirão o tema em audiência pública na qual serão ouvidos Elíbio Leopoldo Rech Filho, da Academia Brasileira de Ciências (ABC), e Helena Bonciani Nader, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Na quarta, um novo debate acontece em audiência da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT), com a participação de Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Fico torcendo para que os parlamentares dêem ouvidos à razão, cujos argumentos foram bem delineados pelos pesquisadores do Ipea em levantamento que expõe as conseqüências do novo Código Florestal às Áreas de Proteção Permanente (APPs) e Reservas Legais (RLs) divulgado no último mês. Com números e lógica, eles não permitem que se aprove o Código sob alegação de estar buscando o melhor para o país.
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11/05/2011 01:50
Realidade cruel


Tirei essa foto próximo à Rodoviária Novo Rio, no sábado (7). Isso me fez pensar, apesar do meu entusiasmo com todos os eventos esportivos, se não seria melhor aplicar o dinheiro em obras que melhorassem a vida dessas pessoas.
Rebeca Ribeiro| E tu? Que pensas? Escreve aqui. (1)

08/04/2011 00:53
Pensamentos I
Na correria do dia a dia, nem sempre consigo escrever tudo o que penso, mas registro alguns flashes: dúvidas ou conclusões, que compartilho neste post.

"Não há paz na morte; só o silêncio."

"Não seja espelho refletindo o entorno. Nem sempre o entorno é bom."

"Prefiro sofrer o dano a causá-lo; prefiro conviver com a mágoa a viver com o remorso."

"Nem todo soberano é nobre. Nem todo nobre é soberano."

"Amigo não é quem aprova tudo o que eu faço, mas quem me ajuda a fazer o certo."

‎"Quando a dor não cauteriza, o amor cicatriza."

"Em qualquer empreendimento, dê o sangue, mas não venda sua alma."

"Realizar nossos sonhos é incrível. Ajudar outros a realizar os seus tanto quanto."

"A vida é feita de escolhas e cada sim implica, no mínimo, um não... abrir mão."

"A vida é uma constante contagem regressiva."
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22/02/2011 23:13
Ele falou quando devia
Há pouco, estava na Câmara Municipal cobrindo uma sessão ordinária. Apesar de ter prazer em acompanhar a política da cidade, aborrecem-me as conversas paralelas que parecem fazer parte do protocolo. Eles não se escutam?

Este comportamento dos vereadores é um dos responsáveis pelo agravamento da minha dor de cabeça, assim como as interrupções e pronunciamentos vez ou outra inúteis.

No meio da reunião, porém, entre os aborrecimentos e a diversão, acabei me surpreendendo. No meio da sessão, um vereador de fala simples e aspecto humilde revelou muita sensibilidade e discernimento. Ele não estava entre os mais falantes; chegou, sentou-se e aguardou o início da sessão, enquanto os demais estavam reunidos em grupos conversando animadamente. O julgamento temerário é proibido e isso é justo. Esta noite, ele subiu à tribuna.

Em sua fala, criticou a péssima qualidade de programas televisivos que alternam cenas pornográficas e "aulas de roubo". Acusou-os de prejudicar a formação moral de crianças e jovens.

Um de seus companheiros de plenário lembrou que as pessoas podem optar por assistir aos programas ou não e que podem trocar de canal. Mas, o argumento não convenceu o velho legislador.

"O canal deve ter mais ética porque os meios de comunicação devem educar, não influenciar negativamente às crianças. Eles jogam essa sujeira no ar. Isso tem que parar. Eu quero uma mudança no pensamento do povo. Mesmo que seja daqui a cem anos. Eu falo sozinho, mas tenho que falar".

A discussão sobre o que deve ou não ser transmitido na TV não pode ser superficial, já que envolve muitos atores e pode ferir a liberdade de expressão, mas, atenho-me à surpresa causada pela lucidez da fala daquele que talvez parecesse o menos preparado. Ele não precisou ser repreendido por conversar durante o pronunciamento de outro componente da mesa e, quando falou, mostrou firmeza e sinceridade, que falava do que realmente acreditava. Ele falou quando e como devia, e isso é raro.
Rebeca Ribeiro| E tu? Que pensas? Escreve aqui. (0)

05/02/2011 23:53
Ouvido e boca
Quando estava na faculdade, tive que analisar um trecho do livro “Sobre a Televisão”, de Pierre Bourdieu. Entre tantas palavras, tantas análises, uma frase chamou minha atenção. Ela dizia que o jornalista deveria dar voz àqueles que realmente têm algo a dizer.

Apesar de ter considerado este pensamento um dos mais importantes aprendidos durante minha graduação, havia tempos que não refletia acerca dele. Mas, o repouso foi interrompido por uma senhora de baixa estatura, afro-descendente, na flor da terceira idade. Ela veio ao jornal denunciar problemas de infraestrutura em sua rua.

Depois de ouvir suas queixas, pedi que me passasse seus dados de contato. Meio constrangida, a senhora pediu licença para procurar o número do telefone, que não lembrava ‘de cabeça’. Depois de alguns minutos sem sucesso, liberei-a da obrigação de passar o telefone e me despedi, com a promessa de que o jornal iria até o local e tentaria ajudar. Creio que era essa a resposta esperada por aquela que disse ter ido a toda parte e voltado sem resposta; pela senhora que ouviu ser o jornal o último recurso.

Os problemas de infraestrutura da cidade não são tema da minha editoria, mas passei a denúncia à repórter responsável e ela visitou a rua indicada. A jornalista ficou surpresa com a situação do local, porém mais surpresa ficou a moradora, com a resposta tão rápida. No momento em que a matéria saiu, senti como se cumpríssemos o papel. Foi gratificante e inspirador. Sem dúvida, um estímulo pra continuar dando ouvidos às tantas vozes que não se pronunciam.
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